Crítica - Better Call Saul 6ª T Parte 02

Escrito por: Pedro Rubens


A constante renovação de algumas séries têm sido alvo de duras críticas. Como via de escape, muitos enxergam no desenvolvimento de spin-offs a oportunidade de continuar contando histórias daquele determinado universo. De fato, toda produção precisa saber a hora de parar e encerrar o ciclo de forma favorável e agradável para todos.


Better Call Saul chega ao fim e entrega ao público um desfecho que não apenas agrada e entretém, mas que reforça todas as ideias construídas desde a sua precursora. Com uma história extremamente bem costurada e fundamentada, a série proporcionou ao público um verdadeiro deleite nos últimos episódios.


A criação de Vince Gilligan e Peter Gould conseguiu responder às duras críticas recebidas logo após o anúncio da sua existência. Durante 6 temporadas a história envolvendo o querido advogado apresentado em Breaking Bad crescia e ganhava mais robustez, profundidade e significado.


Em seu último ano, e especificamente nos 6 últimos episódios, a proporção atinge níveis abissais e disseca o seu protagonista. Seguindo a sua própria essência porém de forma mais aguçada, Better Call Saul escancara todos os medos, temores, vícios, riscos, ousadia, paixão e todas as demais coisas que cercam Jimmy.


À medida que os arcos vão sendo finalizados e o cerco vai se fechando, todos os holofotes se voltam para o protagonista e a série consuma a verdadeira persona de Saul Goodman, coroando-o com uma cena primordial na transição Jimmy - Saul. Se aí fosse o series finale já seria digno de ovações, mas a capacidade criativa de toda a equipe transcende e nos apresenta uma espécie de epílogo, com imagens em preto e branco, relances coloridos e a reflexão de que a vida só tem cor quando vivemos sendo nós mesmos!


O texto desenvolvido para cada diálogo corrobora com o que é dito em silêncio, onde simples olhares cruzados, ligações recebidas com expressões desesperadoras, ou até cenas que referenciam ao início da série falam muito mais do que diálogos prolixos. Se me é permitido fazer esse tipo de análise, ouso dizer que assistimos a um personagem fictício que reflete o ser humano brilhantemente.


Construir algo que funcione não apenas como ensaio de personagem mas que também seja um reflexo direto da condição humana não deve ter sido fácil. E se você estiver achando que é exagero meu, basta lembrar do famoso “jeitinho brasileiro” onde queremos dar um jeito para resolver todas as coisas da maneira que sempre seja benéfico para nós. Durante as 6 temporadas nós simplesmente estávamos nos vendo ali, através de Saul, Kim, Mike, Gus, Howard e tantos outros.


Voltar ao Novo México, encontrar as paisagens conhecidas por velhas histórias, outros personagens e descobrir novos enredos vividos ali foi prazeroso, ainda que com um desfecho doloroso na mesma medida que impecável. Por fim, deixo aqui minha total satisfação e alegria pelo privilégio de poder vivenciar e acompanhar a grandiosidade desse show.


A verdade é que esta nunca foi uma série spin-off experimental, onde as coisas foram jogadas aleatoriamente com o intuito de continuar revisitando o universo já estabelecido e amado, criado por Gilligan e Gould. Better Call Saul construiu seu próprio império, sólido o suficiente para ter voz e vez, marcando a história do audiovisual como uma das melhores produções derivadas de todos os tempos!


Nota: 9.75



Better Call Saul



eirubinho - 2022-08-17 18:53:11 ( 44)
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Crítica - Westworld 4ª T

Escrito por: Pedro Rubens


Há inúmeros motivos que levam uma série à renovação. Talvez o maior deles seja a rentabilidade advinda daquele título, seja por meio de audiência, comercialização de produtos ou até pela possibilidade de atração para outros títulos do canal ou streaming. Porém, até que ponto vale a pena renovar determinada produção?


Westworld, série original HBO, voltou para seu quarto ano com uma missão - aparentemente - impossível: aprumar os eixos e voltar a girar engrenagem após uma terceira temporada que levou a série para um possível abismo. Diante dos eventos que sucederam com Dolores, Hale, Maeve, William, Bernard, todos os anfitriões e humanos, não dava para esperar muito do que estava por vir.


Curiosamente a surpresa já aconteceu no primeiro episódio quando as peças começaram a se encaixar e voltar a fazer sentido, abrindo mão de tudo o que o ano anterior trouxe de pior e abraçando as complexas decisões da primeira temporada. Tudo era novo, instigante, misterioso e havia uma constante sensação de “nada faz sentido, não estou entendendo nada mas quero ver mais”.


A construção narrativa da temporada atual apresentava constantemente que por trás de tudo havia um fio que estava conduzindo toda a história, ligando o arco principal com os arcos coadjuvantes e construindo um império. Os diálogos demonstravam ter sido elaborados de forma minuciosa, o texto era afiado e desafiava fé, racionalidade, realidade, ficção e a supremacia das coisas.


 


Diante da grandiosidade desta nova leva de episódios a protagonista de Westworld voltou a ocupar seu lugar de direito, ainda que de imediato houvesse apenas pulgas atrás da orelha. A métrica da série não ajudava a entender o que de fato estava acontecendo com Dolores, que agora atendia pelo nome de Christina. Toda a aura que pairava ao redor da personagem era instigante na mesma proporção que era como uma névoa onde nada estava claro.


Da mesma forma, Charlotte cresceu no decorrer da temporada e desempenhou papel fundamental principalmente no que diz respeito ao encerramento do novo ano. A grandiosidade das suas falas causavam choque não apenas aos personagens com os quais interagiam, mas também ao público. A cena mais poética, linda, primorosa e bem executada de toda a série é protagonizada por esta personagem e me causou inúmeros arrepios enquanto um balé dançava em uma rua e um discurso poderoso era proferido.


Os arcos secundários seguiram o mesmo caminho e avançavam gradativamente com seus personagens, seja através das linhas temporais que a série trabalhava e aparentava não ir a lugar nenhum, ou quando todas se cruzaram e começaram a desenhar o desfecho dos nossos queridos anfitriões. A dolorosa jornada de Maeve, a psicopatia de William, a confusão de Bernard e o amor incondicional de Caleb chegam a um possível fim de forma satisfatória mas deixa a sensação de que “eles mereciam mais”.


Talvez o único problema do quarto ano do show seja o último episódio, que segue uma linearidade completamente diferente dos anteriores. Em uma temporada ascendente, onde semana após semana a narrativa crescia em profundidade, persuasão, autoconhecimento e quebra de paradigmas, encerrar o arco atual de forma singela e humilde foge do padrão estabelecido na nova temporada.


Westworld finalmente consegue justificar a renovação para a quarta temporada e, ainda que a season finale aparente ser o último episódio da série, ainda assim os indícios de uma nova temporada para conclusão de tudo está presente na última cena. Ajustar as coordenadas e criar um novo ano como esse com certeza não foi fácil, mas finalmente temos a série de volta com a mesma essência do seu primeiro ano.


O discurso de Dolores no último episódio metaforizando o saber com árvores e o que tem abaixo do solo é certeiro em resumir a maneira como a temporada atual seguiu, mas que seja também um anúncio do que ainda virá e que venha uma conclusão digna do que Westworld merece.

Nota: 8,69



Westworld



eirubinho - 2022-08-16 20:43:12 ( 78)
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Crítica - The Sandman

Escrita por: Amanda Kassis


Este texto contém spoilers sobre o desfecho da 1ª temporada. 


Não é segredo que o anúncio de adaptação de franquias famosas para o formato de série ou filme sempre deixa os fãs apreensivos. Histórias, personagens e momentos clássicos estão sujeitos a serem completamente modificados no processo de adaptação, até o ponto de se tornarem irreconhecíveis aos olhos daqueles que mais aguardam pela produção. Felizmente, para os fãs dos quadrinhos de The Sandman, o autor Neil Gaiman – que esteve diretamente envolvido na série – não deixou que isso acontecesse, trazendo à vida com bastante fidelidade as páginas das suas obras.


Na 1ª temporada, acompanhamos as consequências do aprisionamento de Morpheus, ou Sonho dos Perpétuos, o ser responsável por manter a ordem no Reino do Sonhar, aonde os humanos vão quando adormecem. Após passar um século aprisionado pelos membros da Ordem dos Antigos Mistérios, o protagonista sai em busca das suas três ferramentas roubadas, – um elmo, um rubi e uma bolsa com areia – embarcando em uma jornada que o faz enxergar a humanidade com outros olhos e o faz lembrar-se da razão por trás da sua existência.


Por mais que seja o personagem título da produção, a história de Morpheus não deixa de dar espaço para tantos outros personagens peculiares brilharem. Em alguns episódios, ele chega até a ser um mero coadjuvante. Surpreendentemente, isso não é algo ruim, pois permite expandir o universo da série, desenvolver seus personagens e enriquecer a trama.


Participações como a de Jenna Coleman, intérprete de Johanna Constantine e também da sua antepassada, que aparecem em apenas dois episódios, abre caminho para mais de um spin-off. Mesmo com pouco tempo de tela, Coleman brilhou e causou grande repercussão nas redes sociais. O mesmo pode ser dito sobre Gwendoline Christie, que deu vida a uma versão feminina de Lúcifer, e Boyd Holbrook com o seu sanguinário personagem Coríntio. E não se pode deixar de mencionar Tom Sturridge, que nasceu para interpretar Morpheus.


'Sandman' rende cenas épicas como a batalha de imaginação entre Lúcifer e Morpheus para relembrar que até mesmo o Inferno só existe por causa da capacidade que seus residentes têm de sonhar e ter esperança. O episódio 5, por exemplo, que praticamente se passa em apenas um ambiente, a cafeteria, explora temas pesados sobre a natureza humana e o gênero gore, e promete deixar o espectador tenso até o fim.


Sem dúvida, a grande joia da temporada é o sexto episódio "O Som das Asas Dela", que apresenta a Morte, interpretada com maestria por Kirby Howell-Baptiste, a Perpétua que deveria ter sido capturada pela Ordem em vez de Morpheus. Ao longo das cenas, a Morte mostra ao irmão mais novo o que tanto ama sobre a humanidade, e como as pessoas lidam com a finitude da vida. 


Exceto, é claro, pelo personagem Hob Gadling, que recebeu o presente da imortalidade até que desejasse morrer. O humano se encontra com Morpheus a cada 100 anos em uma taverna e, mesmo com os altos e baixos ao longo de 600 anos, não perde sua paixão pela vida. No meio do caminho, o solitário Morpheus percebe que não está tão sozinho e que encontrou um amigo em Hob. 


O desfecho da 1ª temporada dá uma sensação de que a narrativa chegou a algum lugar. Ao olhar para trás, considerando como estava o reino do Sonhar e o seu monarca, há uma evolução positiva. Mesmo após passar um século aprisionado, Morpheus ainda encontrou amor e senso de dever com a humanidade, e também aprendeu que não precisa carregar seu fardo sozinho. Porém, a sensação de tranquilidade dura pouco, já que o episódio termina com a promessa de que Desejo e Lúcifer têm planos para destruir o protagonista.


'Sandman' correspondeu ao hype que surgiu junto ao seu anúncio e só foi crescendo com o material de divulgação. Cada ator foi escolhido a dedo, e a fotografia e efeitos visuais de alta qualidade refletem o grande orçamento disponibilizado pela Netflix – motivo que levou Gaiman a aceitar a oferta da plataforma de streaming. Claro que tudo isso se deve ao fato de que o autor Neil Gaiman estava lá durante todo o processo e teve liberdade para executar a sua visão. Sem dúvida, o sonho de todos os fãs é ver suas obras favoritas receberem um tratamento deste nível. 


Ainda não assistiu? Os 10 episódios da 1ª temporada estão disponíveis no catálogo nacional da Netflix.


Nota: 8.8



The Sandman



eirubinho - 2022-08-15 22:03:06 ( 117)
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Crítica - Black Bird

Escrito por: Pedro Rubens


Talvez estejamos vivendo a era das produções sobre crimes reais. Recentemente, a maioria dos canais e streamings estão desenvolvendo, exibindo ou finalizando alguma série que aborda um crime real, dos menos conhecidos até os que foram parar nos tablóides, revistas, sites, etc. De fato, há muito para se contar.


Black Bird, minissérie original Apple TV+, conta a história de James Keene, um traficante de drogas que acaba sendo preso e condenado a 10 anos de prisão. Para reduzir sua sentença, ele aceita ir para outro presídio e coletar confissões de um serial killer que estupra e assassina mulheres.


Na série, a interpretação excepcional de Taron Egerton dá vida ao charmoso e esnobe traficante, apresentando todo o processo de desconstrução que ele passou no mundo real. Ao seu lado está o brilhante Paul Walter Hauser que encarna assustadoramente o serial Larry Hall. O que essa dupla faz em apenas 6 episódios é algo fora do normal!


A fala mansa e ponderada de Hauser é contrastada com o constante medo transmitido por Egerton. Corroborando tudo isso, a presença de ambos é notada em absolutamente todas as cenas ainda que não estejam em tela, sendo eles apenas referenciados.


O somatório de um elenco perfeito com um criador que é mestre em produções de suspense faz com que Black Bird seja uma das melhores produções de crime reais do ano. A assinatura de Dennis Lehane está estampada em todos os episódios e isso é um dos pontos positivos: entregar uma produção que adapta os relatos da autobiografia do protagonista nas mãos de uma equipe especialista no que faz.


O roteiro não demora para engrenar, pelo contrário. No primeiro episódio já somos apresentados ao protagonista e todo o seu arco envolvendo drogas, família e dinheiro, mas também conhecemos o antagonista da série, o famoso Larry Hall.


Black Bird constrói dois personagens e começa a dissolvê-los como pó. À medida que suas vidas se encontram, as características vão sendo apresentadas e trabalhadas, aproximando-os fisicamente, mas afastando-os de todas as demais formas.


Mas se o arco principal é extremamente bem sucedido no que propõe, os plots secundários não saem do raso. Não há profundidade nos personagens do FBI e todo o seu enredo não passa de um respiro diante da tensão constante entre os protagonistas. O mesmo se repete nos núcleos familiares de Jim e Larry: conhecemos suas respectivas famílias, os problemas conjugais, de saúde e até as questões psicológicas de alguns deles, mas é apenas isso.


Se estes arcos são consideráveis para a história principal, como possivelmente foram na vida real, faltou algo que desse a importância devida… Afinal, crises familiares, policiais corruptos e troca de funcionários em presídios nós já conhecemos de outras tantas produções fictícias, mas, na história do mundo real, quais as relevâncias?


Black Bird entrega uma series finale espetacular, repleta de tensão e medo, mas fecha o arco da dupla de criminosos de forma satisfatória. Que outras tantas produções do gênero consigam manter o altíssimo nível e entregar temporadas que envolvam o público e instiguem a curiosidade.


Nota: 8,50



Black Bird



eirubinho - 2022-08-12 23:33:05 ( 164)
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Crítica - A League of Their Own

Escrito por: Leonardo Markana


Reboot do filme de 1992, criada por Abbi Jacobson (Broad City), Will Graham (Mozart of the Jungle) e baseada em eventos reais, A League of Their Own introduz as Rockford Peaches, primeira liga feminina profissional de beisebol criada em 1943, como forma de suprir a falta de muitos jogadores profissionais convocados durante a Segunda Guerra Mundial. 


A nova dramédia do Prime Video nos apresenta as duas protagonistas que compartilham do mesmo sonho, mas se encontram em jornadas muito diferentes: Carson Shaw (Jacobson), uma mulher do interior de Iowa que decide pegar um trem para Chicago e tentar sua sorte na nova equipe, enquanto seu marido encontra-se ausente por conta da guerra; e Max Chapman, uma mulher com extremo talento e potencial para ser uma ótima jogadora profissional, porém se depara com todas as dificuldades possíveis por conta da cor de sua pele. 


Com oito episódios em sua primeira temporada, posso dizer que a produção nasceu com erros e acertos. A primeira metade não se preocupa em apressar a narrativa, mas em desenvolvê-la de maneira gradual e às vezes até um pouco lenta demais dependendo da personagem em questão. Durante alguns episódios, fica a sensação de que o roteiro demora um pouco para chegar ao objetivo principal, como apresentar Dove, interpretado por Nick Offerman (The Office), para depois retirá-lo de cena de maneira repentina.


Além disso, nem todos os personagens secundários precisam receber destaque, funcionando no caso de Lupe e Jess, que conseguem entregar o carisma e a sensibilidade, elevando a narrativa tanto quanto as protagonistas. Porém, muitas vezes senti que personagens como Clance, melhor amiga de Max, ganha um certo destaque além do necessário, quando eu me encontrava mais interessado em acompanhar as personagens que faziam parte da equipe. 


No entanto, A League of Their Own não tem medo de explorar as nuances apresentadas por suas personagens que possuem as mais diversas bagagens entre si, sem o uso de um texto caricato. Os primeiros episódios contextualizam de maneira eficiente, até mesmo sem precisar de esforço para isso, todas as questões e empecilhos sociais que as mulheres na década de 1940 eram submetidas diariamente. A narrativa trabalha com as personagens não só como um time feminino de beisebol, mas também como mulheres excluídas de uma sociedade que sempre as impediram de se tornar uma comunidade. 


Questões sobre cor, gênero e sexualidade estão muito presentes na narrativa, sendo elas um considerável fio condutor para o desenvolvimento de suas protagonistas. Ao longo da temporada, a série gradualmente desenvolve o romance entre Carson e Greta, interpretada pela maravilhosa D’Arcy Carden (The Good Place), iniciando-se de maneira singela até chegar ao ponto onde o romance se torna tão importante quanto o campeonato de beisebol para as Peaches. Já com Max, pelo fato de ser uma mulher negra, tanto as dificuldades da vida como as de se tornar uma jogadora de beisebol a encontram de maneira ainda mais pesada, não só pela sociedade mas dentro de sua própria família. Possuindo uma personalidade fervorosa, tudo isso não a impede de seguir atrás de seu grande sonho mesmo que, em muitos momentos, ele aparente ser impossível de ser realizado. 


Carson e Max, apesar de protagonistas e ambas se conhecerem, nunca se encontram em uma mesma storyline, aspecto que me surpreendeu ao longo da temporada, pois em determinado momento acreditei que suas narrativas se encontrariam. Mas a série em nenhum momento desconsidera seu contexto histórico, quando o racismo explícito ainda se encontra fortemente presente na sociedade americana, o que impede de unir suas protagonistas por uma conveniência de roteiro. Pode não ser o melhor caminho para quem torce por isso, mas não deixa de ser o mais realista para sua narrativa. 


A League of Their Own tropeça consideráveis vezes ao longo do caminho, mas entrega humor, carisma e sensibilidade, especialmente em seu episódio final. Poderia ser um hit no catálogo do Prime Video, porém nos tempos de inconstância no streaming fica difícil fazer uma previsão. Entretanto, tem tudo para encontrar um público fiel e que aprecie sua história. E genuinamente espero que ganhe uma segunda temporada.


A 1ª temporada estreia dia 12 de agosto, no Prime Video.


Nota - 8.5



A League of Their Own (2022)



Matheus Henrique - 2022-08-11 15:33:04 ( 210)
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Crítica - Under the Banner of Heaven

Escrito por: Tom Carvalho 


Under The Banner of Heaven traz Andrew Garfield como um detetive criminal que tenta desvendar um crime que chocou o estado de Utah, EUA e o mundo em meados dos anos 80. A nível de curiosidade, o estado americano é mundialmente conhecido pelos seus luxuosos templos religiosos e pela predominância da religião Mormon. A série chama atenção por retratar uma camada dos membros dessa instituição que não apenas se perdeu entre os princípios de fé mas tentaram uma revolução no aspecto civil enquanto se rebelaram contra questões do Estado. Baseada no livro homônimo de Jon Krakauer, a obra aborda não apenas a investigação do caso mas também a fé e o fanatismo religioso e como a combinação entre esses fatores influenciou toda uma família e serviu como fundamento para um comportamento que trouxe uma série de tragédias, culminando com o macabro assasinato de Brenda Lafferty e sua filha Erica, um bebe com pouco mais de um ano de idade.


Os "mórmons" são membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos do Últimos Dias, igreja presente em todo o mundo e com uma participação expressiva dentre as religiões cristãs no Brasil. Recentemente tivemos a igreja representada na mídia por meio de Gil do Vigor, ex-BBB e membro assíduo da religião. Assim como Gil, a grande maioria dos membros da religião são extremamente pacíficos e chamam atenção pela dedicação aos estudos, esportes e a religião assim como pela busca de uma conduta pessoal exemplar. Em UTBOH, vemos um segmento extremo da religião (representado pela família Lafferty) baseado em convicções pessoais e em uma forma deturpada das regras e mandamentos conhecido como os “fundamentalistas”, o que representa uma parcela muito pequena dos membros da Igreja tanto nos Estados Unidos quanto no mundo. Esses grupos seguem isolados e atrelados a conflitos com as leis locais e o afastamento não apenas da religião oficial mas também com a sociedade como um todo.


A série já chegou gerando alarde não apenas no estado de Utah mas em todo Estados Unidos. Sites de notícias, Twitter e noticiários trouxeram a volta do caso para a TV como pauta. A caracterização, os diálogos, as expressões e as atitudes que vemos na produção, se não exatas, se aproximam muito da forma como os membros da religião realmente se comportam. Intermináveis threads no Twitter trouxeram mórmons e não-mórmons a questionarem suas próprias crenças e analisarem sua fé de forma mais analítica e reflexiva. Recentemente, a assessoria da Igreja foi questionada sobre o que a série do FX/Hulu tem abordado, mas o departamento de Relações Públicas da instituição preferiu não comentar sobre a produção. No passado, vimos o mesmo acontecer após o lançamento do premiado musical da Broadway “The Book of Mormon”, que faz piada com os princípios da religião.


No melhor estilo true crime, aqui acompanhamos as histórias de cada membro da família suspeito de envolvimento no caso, o que serve de fundamento para o desenvolvimento da trama. No entanto, assim como em outras diversas produções baseadas em fatos, a adaptação televisa seguiu de forma mais atrativa para esse tipo de mídia. Sharon Wright Weeks, irmã de Brenda Lafferty, uma das vitimas do assassinato investigado na minissérie, alegou em uma entrevista recente que o que as pessoas estao assistindo é uma “total ficção” e afirmou que “a história real envolve muito menos religião e muito mais inveja e vinganca”. Detalhes do caso que durou décadas nos tribunais podem ser vistos espalhados pela Internet e de acordo com Sharon, dão mais detalhes da real intenção dos suspeitos ao trazer a religião para o caso. Para o espectador, acredito que o roteiro deixa espaço para uma interpretação pessoal de qual realmente foi a motivação para o trágico incidente.


Vemos durante os episódios não apenas a investigação e os rumos que a história toma, mas vemos flashbacks com trechos de cerimônias religiosas e como a Igreja foi estabelecida sobre um ponto de vista diferente do que é ensinado na religião. Considerando que a religião se baseia no conceito de revelação recebida diretamente de Deus por meio de profetas, a família Lafferty leva o princípio ao extremo e se julgam constantemente merecedores de inspiração divina. Em diversos momentos vemos também que a história de como a Igreja foi estabelecida influencia grandemente em como eles lidam com suas responsabilidades pessoais e eclesiásticas.


Independente de religião, UTBOH chama a atenção do espectador pois traz uma série de questões que são, de certa forma, universais em religiões cristãs. O olhar detalhista sob o fanatismo e obsessão religiosas demonstram como a fé e conduta pessoal dos membros das famílias envolvidas no caso andam lado a lado com as leis e o Estado. Descrevendo em poucas palavras, a série descreve como a fé pode levar o ser humano ao extremo, e o que vimos na tela se apresenta não só surpreendente mas assustador e intrigante.


Under The Banner of Heaven é uma minissérie original FX on Hulu e recentemente foi encerrada após 7 episódios com média de 1 hora de duração cada. A temporada completa chega amanhã no catálogo brasileiro do Star+ .


Nota: 9.0



Under the Banner of Heaven



eirubinho - 2022-08-09 16:33:04 ( 232)
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Crítica - Queer as Folk (2022)

Escrito por: Leonardo Markana


Muitas produções televisivas se preocupam cada vez mais em serem inclusivas quando o assunto é diversidade e sexualidade. Algumas conseguem realizar um trabalho decente, outras nem tanto, e muitas continuam aderindo aos tropos nocivos para a comunidade LGBTQ+. Não vai ser o caso de Queer as Folk (2022), reboot que sucede outras duas versões, sendo uma britânica (1999-2000) e uma americana (2000-2005). 


Queer as Folk (2022) em nenhum momento se preocupa em querer seguir os passos ou se assemelhar às suas séries antecessoras. Ela segue seu próprio caminho com suas próprias narrativas condizentes com o contexto político e social que a comunidade LGBTQ+ se encontra em 2022. Não se pode negar a importância que ambas as séries tiveram em suas épocas, mas é bom encontrar um leque muito maior de narrativas diversificadas e complexas nesta nova versão, como Ruthie, uma professora trans; Mingus, personagem não-binário que recusa a limitação imposta pelos tão conhecidos esteriótipos, ou Julian, personagem gay nascido com deficiência, mas que em nenhum momento se deixa definir apenas por essa característica em sua vida.


O primeiro episódio apresenta de maneira gradual todos os personagens e como eles se relacionam, direta ou indiretamente, na comunidade LGBTQ+ de Nova Orleans. Após um trágico acontecimento, a temporada irá trabalhar como eles vivenciam não só seus traumas mas suas próprias vivências enquanto pessoas queers de maneira realista e orgânica dentro da proposta da série. A série realiza um ótimo trabalho em naturalizar aspectos da comunidade que dificilmente seriam vistos em outras séries com personagens queers em suas tramas. Dar essa liberdade para esses personagens poderem ir além dos seus rótulos os deixam muito mais complexos e interessantes de acompanhar.


Um aspecto um tanto negativo é a série ter sido lançada no Peacock, streaming que acaba não chegando a um público maior, o que impede que a produção receba mais reconhecimento pelo seu público destinado. Outro aspecto, sob um ponto de vista pessoal, é o fato de oito episódios impedir que certas narrativas se desenvolvam um pouco mais devagar do que outras, fazendo com fiquem um tanto apressadas dependendo do ponto de vista do telespectador. Mas em nenhum momento deixa de ser uma série que realmente trabalha toda a questão de representatividade da melhor maneira possível para a sua audiência, afinal, é um reboot destinado a refletir os tempos em que se encontra. 


A série está sendo exibida aos domingos no Starzplay.



Nota - 8.5



Queer as Folk (2022)



Matheus Henrique - 2022-08-08 17:33:04 ( 249)
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Review - The Sandman

Escrita por: Amanda Kassis


O BDS News recebeu os 3 primeiros episódios de 'Sandman', a nova série original de dark fantasy da Netflix. A produção é baseada nas HQs homônimas publicadas originalmente entre 1988 e 1996 pelo britânico Neil Gaiman, que também está envolvido na adaptação como produtor e roteirista.


Apesar de não ser tão conhecido no Brasil, Sandman, também chamado de Lorde Morpheus ou Sonho, é um mito popular sobre quem seria responsável pelos sonhos e pesadelos dos humanos. Já na série, Sandman é um dos Perpétuos – sete irmãos imortais que existem desde o início dos tempos e são considerados mais poderosos do que deuses, tendo cada um o seu próprio reino.


Mas o que torna o Sonho tão poderoso? A saúde física e mental de toda a humanidade depende de uma boa noite de sono. Na mitologia da série, quando as pessoas fecham os olhos as suas almas são levadas ao Reino do Sonhar, onde os seus sonhos, pesadelos e maiores medos se tornam realidade graças à magia de Morpheus. Entretanto, esses seres imaginários não podem sair de lá e ir ao Mundo Desperto, o que conhecemos como 'a realidade'. 


Sandman parte de um princípio bastante clichê para o gênero: na Londres de 1916, os membros da Ordem dos Antigos Mistérios, uma espécie de culto comandado por Roderick Burgess/Magus, decidem mexer com forças poderosas que não compreendem para aprisionar a Morte e usá-la para trazer de volta os seus entes queridos que se foram na guerra, porém o ritual dá errado e eles acabam invocando Sandman.


As consequências do aprisionamento são imediatas para a humanidade. Ao redor do mundo, milhões de pessoas caem em um sono eterno. Como o protagonista se recusa a negociar com os seus sequestradores, por acreditar que os seus dons e presentes não podem cair nas mãos dos humanos, ele permanece preso no porão da residência de Magus por mais de um século, enquanto as pessoas são assombradas por doenças do sono.


Quando finalmente escapa, Sandman retorna ao Reino do Sonhar e descobre que praticamente tudo foi destruído, já que os Sonhos e Pesadelos fugiram para o Mundo Desperto por acreditarem que foram abandonados pelo seu mestre. Os únicos residentes que permanecem são Caim e Abel – o primeiro assassino e a primeira vítima – e Lucienne, bibliotecária do palácio e braço-direito de Sandman.


Para salvar a humanidade e restaurar o Sonhar, Sandman volta ao Mundo Desperto em busca das três ferramentas que lhe foram roubadas ao ser capturado: um elmo, um rubi e uma bolsa com areia. Elas são parte do próprio Perpétuo, que agora está enfraquecido, e pode dar juventude e poder a quem utilizá-las. Como Sandman está claramente com alguns séculos de azar, as suas ferramentas foram roubadas por Ethel Cripps, amante de Magus, e o paradeiro dela é desconhecido. 


Para recuperá-las, o protagonista embarca em uma jornada que o conectará com a humanidade. Para isso, contará com a ajuda de Johanna Constantine, personagem ancestral de John Constantine que também está presente nos quadrinhos originais, mas foi modernizada para a nova produção. Isso ocorreu porque os produtores não obtiveram os direitos para utilizar o personagem popular na série. Sandman também é acompanhado por Matthew, um corvo falante que possui a alma de um humano e que serve como mensageiro e alívio cômico.


Em seus 3 episódios iniciais, a série faz jus ao hype desde o anúncio da adaptação. Em uma narrativa acelerada, porém bem trabalhada, e com efeitos especiais cinematográficos, é impossível não mergulhar nesse mundo que mistura magia, mitologia e escuridão. Também, a produção possui um elenco de peso, que inclui Jenna Coleman, Gwendoline Christie, e Patton Oswalt.


Faltando 7 episódios, a imaginação parece ser o limite para 'Sandman'. Afinal, fazendo uso da liberdade que uma produção feita para streaming concede, as aventuras contidas nos 75 volumes originais dos quadrinhos, e o maior orçamento para uma série do Universo DC, é difícil não acreditar que as expectativas altas dos fãs serão correspondidas. A minha aposta? No quesito série original Netflix, estamos diante da melhor estreia de 2022.


Quer conferir? Os 10 episódios da 1ª temporada de 'Sandman' já estão disponíveis no catálogo nacional.


Nota: 8.0



The Sandman



Matheus Henrique - 2022-08-05 09:23:13 ( 388)
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Crítica - First Kill

Escrito por: Leonardo Markana

Baseado no conto de
V.E. Schwab, a série nos apresenta Calliope Burns e Juliette Fairmont, adolescentes que se apaixonam ao estilo Romeu e Julieta nos tempos de celulares e redes sociais, mas que não poderiam ser mais diferentes entre si. Juliette descende de uma poderosa linhagem de vampiros, lhe concedendo privilégios sobrenaturais em relação a sua própria espécie. Calliope Burns pertence a uma renomada família de caçadores de monstros que sempre lhe ensinaram que toda criatura sobrenatural deve e merece ser morta. Nenhuma dessas razões serão fortes o suficiente para impedir que elas se apaixonem perdidamente uma pela outra, nem que isso signifique enfrentar obstáculos vindos de todos os lados possíveis. 


First Kill não inova nem revoluciona ao trazer mais uma história sobrenatural sobre vampiros e seus caçadores, mas se destaca ao colocar no centro de sua narrativa um casal proibido formado por duas personagens femininas. Levando em consideração a trajetória extremamente problemática de personagens queers no audiovisual, em especial as lésbicas, a série se torna um refresco para esta parte da comunidade que tanto carece de histórias sobre mulheres que amam outras mulheres. A série não cede aos muitos tropos problemáticos estabelecidos na televisão ao se tratar de um casal sáfico, pois o normaliza de maneira natural (como deveria ser) e foca no que realmente importa para a sua história - o romance proibido entre uma vampira e uma caçadora de monstros.


Mas como nem tudo são flores, First Kill, infelizmente, sofre com alguns problemas, tanto dentro de si mesma quanto pelas circunstâncias que chegou ao mundo. Não vou entrar a fundo no aspecto técnico, pois minha jornada com séries de baixo orçamento e efeitos duvidosos é longa, logo minha tolerância para esse aspecto se torna bem alta. Meu incômodo maior seria direcionado diretamente para a Netflix, que em nenhum momento considerou dar uma verdadeira chance para a série poder florescer em sua produção. Não chega a ser uma surpresa, considerando como a plataforma trabalha de maneira falha com suas próprias produções, mas não deixa de ser algo triste de testemunhar, especialmente se tratando de uma produção direcionada para um público majoritariamente composto por mulheres queers.


Infelizmente acredito que, por conta dessas fortes limitações, a série acaba não tendo a devida chance de brilhar nem desenvolver sua mitologia de maneira mais cuidadosa como merecia. Por mais que existam inúmeras histórias sobre vampiros na cultura pop, cada uma apresenta suas próprias regras e mitologias de maneira bem trabalhada. Pessoalmente, meu maior problema acabou sendo com a falta de estrutura narrativa que fosse crível no aspecto mitológico. Dentro de um ponto de vista pessoal, isso acaba refletindo em alguns atores no elenco, com exceção de suas duas protagonistas que entregam muito bem todos os aspectos que envolvem um romance proibido. Uma produção limitada não significa que um elenco não possa florescer dentro dessas circunstâncias, pois a sensação que tive ao sair do foco de Juliette e Calliope, foi que outros núcleos envolvendo personagens secundários não me passavam a credibilidade necessária para que eu pudesse ficar imerso na história contada e aceitar que aquela era uma série sobre vampiros, mesmo com suas muitas limitações técnicas. 


Nota - 7.5



First Kill



Matheus Henrique - 2022-08-03 12:23:05 ( 349)
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Review - Everything's Trash

Escrito por: Tom Carvalho


"Everything’s Trash" é a nova série original do canal Freeform e traz Phoebe (Phoebe Robinson) como uma podcaster em transição para as responsabilidades da vida adulta enquanto lida com relacionamentos amorosos e a relação que tem com seus amigos e familiares. A série também aborda temas como sexismo e questões raciais.


A Phoebe da vida real começou sua carreira como roteirista para séries de TV e, há pouco tempo, fez parte de “2 Dope Queens”, duo de comédia que ganhou espaço na HBO com 2 temporadas de programas gravados ao vivo com platéia. Aqui, ela atua como criadora e roteirista, além de interpretar a protagonista. Inclusive, a série é inspirada em seu próprio livro, intitulado Everything’s Trash, But It’s Okay, o que não deixa dúvidas que a produção televisiva é inspirada em fatos e ideias da vida pessoal de Phoebe.


Assim como no livro que deu origem à produção televisa, a protagonista é apresentada no piloto como alguém que tem uma vida deliciosamente bagunçada, o que ela faz questão de compartilhar com os seguidores tanto no seu podcast quanto nas suas redes sociais. A problemática da produção surge quando o irmão de Phoebe, um homem negro, decide se candidatar para um cargo público ocupado por políticos brancos por mais de 30 anos. O conflito começa quando a vida desorganizada de Phoebe começa a impactar os planos de seu irmão como candidato, devido ao destaque dos seus “deslizes” nas redes sociais. 


Phoebe Robinson (a da vida real) tem tentado adentrar o mundo das séries de TV há um bom tempo e, apesar de engraçada e coesa, não acredito que a série teve o canal que merecia. Apesar da liberdade criativa, o Freeform precisa manter um certo pudor com relação ao conteúdo que apresenta, considerando o público e o horário que a série é exibida. Tratar de temas adultos de forma cautelosa tira um pouco da naturalidade da personagem, coisa que provavelmente não aconteceria em canais como HBO e Showtime, por exemplo. Digamos que diante das circunstâncias, a série faz o que pode para descrever a personagem principal.


De certa forma, Phoebe é uma anti-heroína. De uma forma geral, a produção mostra uma certa quebra de paradigmas sociais que envolvem as mulheres e o que é considerado como não convencional em termos de comportamento. Assim como em seus shows de stand-up, Phoebe leva uma variedade de temas para a trama e os explora da melhor forma possível.


"Everything’s Trash" é uma produção original do canal Freeform lançada no dia 13 de julho e é exibida às quartas-feiras. A série terá um total de 10 episódios de aproximadamente 20 minutos em sua primeira temporada e, até o momento da finalização deste texto, possui um considerável 90% no Rotten Tomatoes.


Nota: 7.8



Everything's Trash



eirubinho - 2022-08-02 20:23:03 ( 286)
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