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“Se você não comer esse, quando eu voltar, dou mais um”.
Mas nenhuma das crianças esperou pela promessa, todas se apressaram em garantir o doce que estava à frente. Entre a espera do que não viu e a garantia do que estava ali, ela não resiste. É uma metáfora sobre a humanidade e nossas urgências que parecem irremediáveis. Nesse passo, ansiar por ultrapassar barreiras, “cruzar a fronteira final” é, pra aquelas pessoas, o doce irresistível. Eles queriam ser pioneiros. E esperar pelas experiências de outras missões, esperar pra que outros preparassem um terreno mais seguro lhes tirava o prazer de experimentar o que ninguém tinha sentido antes. O problema é que parece haver uma estranha ordem no mundo, cobrando o preço aos pioneiros.
Os mistérios que rondam toda essa experiência, a possibilidade de segredos inimagináveis e o teste à capacidade humana de sacrificar outros para a salvação individual já temperam a narrativa até aqui. No fim das contas faz parecer que somos todos ainda as crianças ansiosas, com um instinto egoísta que não precisa de muito pra aflorar. É a provocação nada nova, mas quase sempre interessante sobre se merecemos conhecer os segredos que o universo guarda. Ou se tudo será encarado como a imaginação dos loucos que não se conformam com o sacrifício de seus semelhantes. Ótimo piloto :3
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